Nome: Passarelas do Capibaribe
Local: Recife, Pe.
Autores: Pedro Mendes da Rocha, Miguel Góes, Lara Seleme Modro.
Colaboradores: Caroline Eggerling, Maria Eduarda Guimarães Pupo, Rômulo Beraldi, Otávio Ianelli.
Consultores: Roberto Fruchtengarten, Heloisa Maringoni, Efraim Zaclis, Lívia Berriel, Gilberto Franco, Raoni Nakamura.
Nossa proposta equacionou a demanda de duas passarelas sobre o Rio Capibaribe, de forma a ter uma inserção bastante nítida e marcante na paisagem, sendo uma construção com formato regular (elevação em retângulo perfeito), com instalação em nível absolutamente horizontal, e cores (uma face azul ultramarino e outra vinho) que se compõem com o tom da água e os maciços de vegetação às margens do rio. Estas cores estão voltadas para a mesma face do percurso, fazendo com que se observe tons diferentes dependendo do sentido do trajeto. O conceito de “costura na paisagem” (1973) tomamos emprestado de uma série de trabalhos do artista plástico Marcello Nitsche.
As passarelas propostas são compostas por um par de treliças metálicas (secção “H”) de 4,00m de altura, distantes 7,00m uma da outra que acomodam duas pistas centrais de ciclovia e duas faixas de pedestres junto aos guarda-corpos. Os acessos se dão por níveis variáveis (trechos de plano inclinado, com máximo de 4,99%) coincidentes com as cabeceiras, que encontram um trecho de piso plano, a 1,20m abaixo do topo das treliças, configurando-se como guardas-corpos e garantindo a visualização e contemplação da paisagem. O piso da passarela é formado por vigas de madeira Cumaru, com afastamento de fresta 1cm, o que atende às normas de acessibilidade e cria uma superfície antiderrapante.
Procuramos evitar a pista monolítica de concreto pela dificuldade operacional de concretagem (cimbramentos sobre a água), custo e peso excessivo, como também, pela geração de CO2 envolvida no processo e o fato de resultar em uma grande superfície irradiadora de calor. Além disso, um sistema de deck de madeira conforme adotado, resolve a questão da drenagem uma vez que cria-se uma superfície porosa/permeável para o piso.
Uma das passarelas propostas chega até o Conselho Estadual de Educação (imóvel tombado) – procurando preservar tanto a edificação, quanto as frondosas árvores que a envolvem, imaginamos diluir o desnível de concordância da passarela com a calçada da Rua Rui Barbosa em um pavimento inclinado bastante sutil (2,20%). Esse plano de mosaico português cria um tapete para a fluidez espacial dos pedestres e apreciação da paisagem. Já para realizar a transição entre cidade e natureza, imaginamos uma escadaria/arquibancada que mergulha no rio.
Na outra cabeceira, projetamos um conjunto com dois edifícios residenciais, articulados à 90 graus, que delimitam uma Praça proposta em seu nível térreo. Composta por galerias, imaginamos a possibilidade de oferecer o apoio necessário à vida nesse conjunto e também da vizinhança – abrigando a padaria, o açougue, o verdureiro, a farmácia, o botequim, etc.
Contemplando a ideia de atracadouros de barcos, propusemos uma Praça de Água, com a ideia de criar uma micro-paisagem construída. Animava-nos imaginar que um casal local, por exemplo, com uma pequena embarcação, poderia vir de longe, estacionar nesse píer e ir ao mercado (ao lado) fazer as compras do mês. No trecho após a embocadura da passarela, vencendo o desnível existente, criamos a Arena Capiba, um teatro ao ar livre, para 500 pessoas. Na “proa” da Praça, à beira rio, desenhamos um bar isolado, com uma estrutura de concreto do tipo guarda-chuva, uma sombra na praça, com as mesinhas com guarda-sol distribuídas em torno dele. A área resultante, plana, ao longo do Rio, caracteriza-se como Praça Seca, podendo ser utilizada para feiras, festas e exposições.